31 de janeiro de 2014

ZOLA LOVE

Manuel Portugal, és o maior a tirar fotografias.

Minha querida punk Zola,

sono é um conceito que ainda não compreendeste. Desde que te conhecemos já tentámos acender a máquina de lavar a loiça com um fósforo, colocámos gel para lavar as mãos na escova de dentes, já arrumámos loiça suja no armário, enfim, uma panóplia de actividades estranhas que nunca passariam na cabeça de um ser humano mentalmente estável. Porque temos sono (e tu não). Desde que te conhecemos que a nossa vida ficou de pernas para o ar, estamos mais cansados, raramente temos tempo para nós, és realmente um pequeno furacão. Às vezes olho para o aspecto da nossa sala, e vejo a rebaldaria que impera nas nossas colecções (até hoje intocáveis) de cd's, dvd's, revistas e livros, que tu tentas afincadamente comer, e fico a pensar no que mudou. Porque é que um ser de 60cm tem o meu consentimento para remexer nos pequenos tesouros familiares, que tanto tempo e dedicação levam a coleccionar, é uma coisa que nunca conseguirei responder. Hoje quando tentaste pentear o teu cabelo com a escova ao contrário, até fiquei comovida. Estás muito crescida. Prometo-te uma coisa, se começares a respirar normalmente, sem coisas nos brônquios, tosses horríveis, falta de ar, sem vomitar, e ficares boa depressa, podes não só continuar a maltratar os dvd's como também terás direito a brincar com o telemóvel quando quiseres. E com o comando da televisão e com o porta-chaves. Boa? Vamos a isso.

Tua querida, R.

28 de janeiro de 2014

AS PAREDES TÊM OUVIDOS





No domingo li esta banda desenhada sobre a Pide em Portugal. A cena passa-se toda em Lisboa, à volta da rua António Maria Cardoso, onde era a sede dos terríveis. Uma rua onde eu e centenas de portugueses passam todos os dias, sem sequer olhar para o lado, sem sequer pensar que ali foram torturadas não sei quantas pessoas. O livro é forte porque o tema é arrepiante, tem alguns silêncios constrangedores e para quem souber apreciar, as ilustrações são muito boas. É possível ver e reconhecer as ruazinhas todas no centro de Lisboa, os edifícios…gostei. O mais estranho disto tudo: escrito e desenhado por um italiano.


27 de janeiro de 2014

UMA NUVEM HOSPEDOU-SE AQUI


Hoje de manhã comecei o dia da forma certa. Mesmo depois de uma noite em branco (dentes da Zolita) levantei-me cedo, comi o pequeno-almoço e fui beber um café à rua antes de começar a trabalhar. Depois ainda aproveitei para apanhar roupa, e aconteceu-me uma coisa que eu devia ter interpretado logo como um sinal dos deuses a dizerem-me "amiga vai para a cama e não te levantes até terça-feira": caíu-me um soutien cor de rosa às bolinhas (bastante kitsch por sinal), na corda dos vizinhos de baixo. Foi a partir daí que começou tudo a descambar.
Acho que todo o trabalho que entreguei teve críticas negativas, depois almocei sozinha e o Manel chegou a casa à tarde, adoentado. Quando fui buscar a Zolita à escola ela não estava no seu melhor, e na hora do iogurte vomitou para todo lado. Entretanto continuei a tentar entregar o meu trabalho malfadado, enquanto ela chorava no banho e enquanto ao mesmo tempo atirava uma cenoura perdida para uma panela para fazer sopa a tempo. Quando o trabalho já ia a caminho fui finalmente dar-lhe a sopa, que ela não quis comer. A seguir o Manel fez o jantar e foi a vez de eu não querer comer: era um hamburguer vegetariano de compra, de qualidade duvidosa (Manel o arroz estava uma categoria, só tu consegues fazer arroz assim). O autoclismo avariou. Depois disto, lembrei-me de ir apanhar a roupa da miúda, porque já não tinha nada para vestir amanhã, e dou conta que tinha começado a chover em cima da roupa quase seca…epá, a sério, que dia tão idiota. Já questionei tantas vezes algumas coisas (de onde é que vim, para onde vou, porque é que perco tempo com algumas coisas, será que existe o mau olhado, etc., etc.). Resultado disto tudo, enfiei-me no pijama e vim para a cama, em vez de ir trabalhar. Porque já sei que esta noite não vou dormir outra vez, e o trabalho vai continuar a existir.
Entretanto para acabar a história que deu início ao meu dia desafortunado: o soutien lá deu a volta com uma rabanada de vento e consegui apanhá-lo sem ter de passar pela vergonha de o resgatar pessoalmente. Valha-me isso, raios e coriscos!

Blogs I ♥ (8)


Durante o fim de semana encontrei este blog, que começa assim: "Cheguei no dia 1 de Janeiro a São Paulo. Com 7 malas e uma gata na mão. Let's get this party started." Chama-se "Moro num país tropical" (dá inveja, não dá?), e pertence à Iara, uma designer que nasceu em Alcobaça e se mudou para S. Paulo. Eu não conheço S. Paulo, há-de chegar o dia, mas conheço muito bem Alcobaça, porque nasci lá perto, e sei que viver cá ou lá tem que ser muito diferente - o blog é muito giro, mata as saudades do calor e mostra um bocadinho do que é ser um tuga no Brasil. Clicar aqui para visitar S. Paulo.

21 de janeiro de 2014

PRIMAVERA E VERÃO WANTED (dead or alive)

Primavera e Verão,

estou sentada num banco à vossa espera. Já não aguento mais esta chuva cinzenta por todo o lado, nem a tosse,  nem os espirros e ranhoca em todos os narizes de todas as pessoas. Também estou farta dos casacos de lã com borbotos e dos pés gelados, e dos chapéus de chuva que são fardos extra no dia a dia, que ocupam a única mão livre e engatam em todo o lado. Quero sol, uma maneira mais simples de me vestir, quero gelados ao lanche, praia, e vento quente. Eu sou daquelas que nunca me queixo que está muito calor, ou que a meio de Agosto já está a publicar no Facebook "Ai que saudades das minhas camisolas de lã e das minhas botas". Nunca! Primavera e Verão forever. Por favor venham rápido.

Vossa querida amiga, R.

20 de janeiro de 2014

PERSONALIDADE COMPENSATÓRIA

Maravilhosa camisola nova nos saldos (contente)

Para nos compensarmos de mais uma noite de berreiro e grande gripalhada familiar: pão de alho no forno e cerveja. Para me compensar de não termos ficado com a casa vista rio, um tacho gigante de pipocas com caramelo. Para me compensar de não dormir há 10 meses e trabalhar sem parar, umas botas novas e uma camisola nova...Personalidade compensatória resulta sempre (e consola muito).

19 de janeiro de 2014

A MENTALIZAR UMA CASA NOVA





Hoje gastei os minutos online a ver casas. Estou a inspirar-me para a decoração da casa à beira mar que coloquei nos objectivos de 2014. Ainda está para vir, mas não é que já esteve quase a acontecer? Quase, bem, quase quase, mas não era bem. Era uma aproximação, tinha vista rio, e era melhor do que eu tinha imaginado. Na verdade ainda estou na esperança que venha a ser nossa, porque a quisemos com muita força, mas se não chegar deve haver uma razão muito forte... a vizinha de cima pode ser psicopata, ou então há uma casa muuuuito melhor à nossa espera. Qualquer das formas  este ano temos que sair de onde estamos, dê por onde der. A nossa casa é encantadora, é um facto, e é grande, e está a um passo do Chiado, mas as casas antigas têm os seus quês. A fina camada de reforma que levou para poder ser alugada a um preço melhor, está a começar a estalar por todos os lados. Cada dia que passa encontro um defeito maior, e com o cansaço tudo se amplia. Esta semana já me irritei com uma inundação na casa de banho, com uma canalização entupida na máquina de lavar a roupa, com diversas infiltrações que se multiplicaram com a chuva, e com o frio constante que entra por todas as portas e janelas. Esta casa é um "sugador" de aquecimento. Além disso o barulho dos bares, as festas nocturnas todos os fins de semana, o mau gosto musical do vizinho de baixo, as discussões dos vizinhos de trás, os passos dos de cima…tudo se vai somando numa lista interminável e estou sem saco. Preciso de paz e sossego numa casa normal, onde a Zola possa dormir sem acordar com as buzinas de um canalha qualquer às 2h da manhã…todas estas coisas contam. Para além de que nós não merecemos menos que a casa com vista para o mar.

13 de janeiro de 2014

Blogs I ♥ (7)



Gosto deste: às nove no meu blog. Porque se sente que é verdadeiro, é inspirador e embala-nos na ideia de que podemos ter um blog assim. Não tenho tido grande tempo para navegar na blogosfera, mas de vez em quando encontro estes espaços, bons de visitar. Depois atiro-os para a lista de favoritos e ficam lá esquecidos até ao dia em que tenho direito a desperdiçar 10 minutos numa coisa que me dá prazer. O que é uma pena, porque mereciam ser lidos diariamente. Hoje que a Zola está doente, apesar de ter trabalhos movediços até ao pescoço, decidi pisar a linha e desperdiçar 10 minutos sem ter direito a eles. Afinal tenho que me compensar.

O ENCANTO, O ENCANTO


Não sei se foi Buda ou não, mas quase de certeza que isto é verdade. Nos últimos tempos tenho desperdiçado a minha vida a fazer algumas coisas que não gosto, mas já decidi que não é para sempre. A principal razão para mudar muitas vezes é simplesmente porque estou sempre a lembrar-me de que a vida é curta. Não sei se este é um pensamento recorrente das pessoas no geral, mas cada vez mais me lembro disto e quero à força toda aproveitar a vida ao milímetro. Ou seja, horrendum sacrificium, anuncio que tendes os vossos dias contados. E pronto, a Zola está doente em casa, com bronquiolite, não só nos arranca da cama todos os dias à noite, como também quase nos arranca a alma de a ver assim. Esta noite saímos de casa em direcção ao hospital às 5h da manhã, e acabámos a dormir no carro, em família. É uma linda imagem, eu sei. Com direito a vidros embaciados, cobertores e tudo. Eu tenho olheiras até aos tornozelos, o Manel consegue superar-me, mas como me disse hoje a farmacêutica do bairro, "faz parte do encanto". E faz mesmo.

5 de janeiro de 2014

EXERCÍCIO DE ANO NOVO PARA UMA VIDA COMPLETAMENTE DIFERENTE


Já é dia 5 de Janeiro e ainda não parei para fazer uma reflexão sobre 2013 ou para fazer aquela listinha maçadora de resoluções para o ano novo. Não posso permitir isto. Pelo menos a reflexão é importante para percebermos se desperdiçámos o ano ou não.
Vou começar por aí: definitivamente não desperdicei o ano. Foi um ano bom mas difícil em vários aspectos. Tive um bebé, que é a cereja no topo de uma vida, mas também houve coisas difíceis que nem vale a pena relembrar. De 2013 vou gravar apenas os olhos de um bebé que fica mais inteligente, mais emotivo, mais característico e mais engraçado cada dia que passa. (Vou tentar esquecer que não durmo desde que a Zolita nasceu, porque ela é o "furacão-nocturno de santos").
Deve ser rara a vez que alguém cumpre listas de resoluções de ano novo porque a vida não é uma tabela de excel, por isso decidi que os objectivos de 2014 podem ser extravagantes. Posso aproveitar para almejar coisas que à partida serão inatingíveis e surreais, mas se formos sempre "pés na terra" é que não saímos mesmo dela (da terra). Também pode por uma vez na vida ser uma lista egoísta. Eu tenho sempre tendência para ser Madre Teresa de Calcutá e pensar nos coitadinhos em primeiro, portanto para conseguir fazer este exercício vou imaginar que vivemos num mundo onde todos têm o que desejam, e a opulência predomina (senão não consigo evitar problemas de consciência). Aqui vai, objectivos de 2014:
-ter uma casa à beira-mar com jardim e garagem (pode vir com carro novo)
-ir ao Brasil em primeira classe fazer uma tour começando em Salvador, passando pelo Rio e acabando em S. Paulo, e aproveitar para visitar vários amigos
-ir à Austrália em primeira classe e visitar o país durante um mês, comer nos melhores spots e ir às melhores praias
- ir a uma livraria e gastar 300€ em livros e afins
-fazer workshops (vários, podem ser de comida vegetariana, sushi, ilustração, costura, por aí fora)
-ver um concerto de Jack White a partir do backstage, enquanto bebo caipirinhas servidas num tabuleiro
-mude ou não para a casa à beira-mar, investir 5.000€ num restyling total da minha moradia, começando em móveis e acabando em talheres
-ter muito tempo livre
-voltar à dança
- ir a Marrocos só para comprar especiarias e pratarias (brincos, pulseiras, essas futilidades)
-contratar um serviço de catering diário para me servirem o peq. almoço, o almoço e o jantar em casa
-fazer uma mudança de visual (a começar no cabelo, e a acabar na sapateira)
-fazer pouca ginástica e ficar com um corpo escultural =)
-pintar, patinar, surfar e fazer ilustrações (atenção que só surfei duas vezes)
-ir a um spa uma vez por semana fazer massagens enquanto ouço Ravi Shankar e como tiramissú

Pronto… estou satisfeita. Se metade destas coisas se cumprirem sozinhas, posso dar o ano por espectacular.

…..

Foi interessante fazer isto, estamos tão habituados a pensar só no possível que às tantas a nossa cabeça não consegue libertar-se. Pronto e agora vou trabalhar.


Vão morrendo grandes símbolos, o Mandela, o Eusébio, daqui a 10 anos não morrerá ninguém de verdadeiro valor, porque estas pessoas estão a ficar cada vez mais raras. Olho à volta e poucas são as personalidades que realmente inspiram. Há pessoas que deviam ser imortais.

SÉRIES CALÓRICAS

Já não bastava o vício do masterchef normal, tinha que vir também o vício do masterchef júnior. A sério? Inventam tudo, e eu, claro, aderi prontamente - fico a comer o meu jantar normal, enquanto vejo crianças gastronómicamente super dotadas a cozinharem melhor do que eu alguma vez serei capaz, nem que treine durante duas vidas. Do que eu me lembro, só peguei num tacho aos 18 anos, (por uma questão de sobrevivência) e fui capaz de incendiar o exaustor à custa de um ovo estrelado. Mas eles, (entenda-se por "eles" crianças de 10 anos) eles é crostas de frutos secos e ervas aromáticas, eles é bolos fofos e húmidos, eles é assados no ponto, vinagretes balsâmicos, ensopados de não sei o quê, resumindo: uma pessoa estufa só de olhar para o ecrã. O melhor mesmo é ver os episódios do Dexter.

4 de janeiro de 2014

PRIMEIRO LIVRO DO ANO


Não sei o que é que estou aqui a fazer. São 23h49 e tenho 60 páginas para paginar esta noite. Mas tenho tantas saudades de blogar que não aguentei - é coisa rápida. Só para actualizar a secção dos livros: 2013 foi o ano em que li menos livros na vida desde que aprendi a ler, por isso em 2014 tenho que ler o dobro. Um dos bons foi "A Tragédia da Rua das Flores", que me ofereceu um amigo, depois de um lanche na Rua das Flores. Também gostei da "Gabriela Cravo e Canela"… curiosamente não me lembro de quase mais nada. Ah, li "A Million Little Pieces" (fortíssimo) e consegui ler o meu segundo do António Lobo Antunes, que foi o "Auto dos Danados". Fiquei orgulhosa.
Este livro é do Manel. Ele é que o está a ler. Mas eu decidi lê-lo também, por isso aproveito as saidas do Manel para ler furtivamente algumas páginas e até já passei a marca dele (ihihih). Do Valter Hugo Mãe li "A Máquina de Fazer Espanhóis" e apesar da história não me seduzir muito, achei que ele escreve de forma excepcional por isso estou entusiasmada. 
São 00h01 e eu continuo a ter 60 páginas para paginar. Vou começar agora, em conta relógio.


3 de janeiro de 2014

Segundo a minha mãe eu nunca irei ser rica, porque sou demasiado honesta e trabalhadora e para ser rica é preciso enganar pessoas e pôr alguém a trabalhar por nós. Isto foi uma revelação de ano novo muito forte e ainda estou a interiorizar a violência desta realidade, mas acho que me vou conformar porque não sei ser de outra maneira. Pobre para sempre.
Mas a minha mãe disse que ainda assim se pode ser mais feliz. Eu vou acreditar nela, as mães sabem sempre sobre estas coisas.

Muito trabalho, pouca inspiração. Vou para a cama tentar esquecer estes factos e stressar.

2 de janeiro de 2014

I GUESS I´M BACK

20h e dia de equinócio de Outono.  Foto tirada no último dia da única semana de férias que tive em 2013
Eu a Zola e o pai Bones

Após longos meses desaparecida em combate, acho que voltei (mas só posso ter a certeza daqui a algum tempo). A explicação é simples, viver num país em crise leva a excesso de trabalho, e quando temos um bebé de 9 meses todos os minutos se esfumam. A minha rotina chegou a ser tão ridícula como:
- levantar às 7h
- levar a bebé à creche
- trabalhar até às 19h30
- chegar a casa às 20h
- dormir de 4h em 4h
- levantar às 7h outra vez

Indignada com isto fiz um requerimento: sair às 16h. Acederam ao meu pedido e a rotina começou a ser  parecida, com a diferença única de poder ir buscar a bebé à creche. Horário de trabalho das 9h30 às 16h, e depois das 21h às 00h. Cansadíssima, acabei por me transformar em freelancer. E cá estou eu, com muito trabalho à mesma, é um facto, mas a ver a miúda de perto e a acompanhá-la o melhor que posso. Ou seja, este ano coloquei a vida numa balança e achei que um bebé está definitivamente à frente de um trabalho, mesmo que isso signifique ficar mais pobre. Mas mais rica noutras coisas que não se medem em euros. 2013 foi um ano de extremos: tive uma filha, dormi de menos, trabalhei de mais. 2014 é uma tela branca prestes a ficar colorida. Bom anooooo!