28 de setembro de 2014

ÁLBUM DO FIM DE SETEMBRO




Umas luvas da marca que eu uso quando ando à pendura =D



A mota do meu mano, dos anos 70




Gostei muito deste pormenor







Está quase no fim, Setembro, o mês dourado, e posso dizer que os dois últimos dias foram os melhores e mais divertidos de todos. Calor, praia, água quentinha, clima tropical, não podia pedir nada melhor. Sem sair do país! Tinha forçosamente que ir ao Twins & Fins espreitar e eis que me fascinei. Até chuva quente apanhei! Ribeira d'Ilhas é muito mais bonito do que alguma vez poderia imaginar, foi spot on. Os surfistas pareciam formiguinhas atarefadas e cruzavam o recinto para trás e para a frente, com os fatos vestidos, a pingar, cabelos amarelos, descalços ou a chinelar, por vezes com a prancha debaixo do braço e a rolar sobre skates. À mistura, uma azáfama de motos transformadas, a esbanjar estilo por todos os escapes, algumas muito retro. No meio de todos ainda havia os motociclistas surfers, pessoas que têm uma vida tão boa que conseguem um duo extraordinário: andar de moto e surfar. Lá se viam algumas motos com suportes para transportar as pranchas. E é isto, diverti-me muito, levei a Zola, que passou os dois dias a chapinhar na água que nem um pinguim, eu própria ainda molhei os pés e fartei-me de tirar fotografias com o telemóvel. É bom que aconteçam coisas destas por aqui.  

P.S. ( Encontrei 10€ no chão, e como não encontrei o dono era só para dizer que foram bem gastos numa lata de leite em pó, Nutribém 2)


26 de setembro de 2014

Oh, que mentes mais conservadoras. Contentes e escondidos atrás do monitor, as pontas dos dedos transformam-se em línguas afiadas. Velhos do Restelo, deixem cada um viver a sua vida, à sua maneira. A passagem está aberta, mas só vem por aqui quem quer.

25 de setembro de 2014

O PODER DA CARNE

Hoje, estava eu a cozinhar há uma hora, quando me ocorreu que durante a vida, e de forma descontraída, tomamos pequenas decisões que mais tarde têm grande impacto. Há 15 anos deixei de comer carne. Não foi nada difícil, houve uma série de factores que tornaram a decisão lógica, e como nunca fui grande amante de carne, num piscar de olhos foi posta de lado, até hoje.
Durante a infância era daquelas crianças chatas à refeição e muito criativas na hora das desculpas: "tem nervos", "tem pele", "tem gordura", "tem filamentos cor-de-rosa", "tem ossos", por aí fora. Os meus pais passaram as passas. Mas hoje olho para trás e acho que nasci a não gostar de carne. Deixar de a comer teve sabor a liberdade. Dar grandes garfadas e saber que nunca iria encontrar nervos, ou ossos, ou rins, ou miúdos, foi um alívio. Mastigar e saber que nada esquisito ia passar por ali trouxe às refeições um novo carisma. De resto é tudo igual, se tiver pressa também como fast-food, uma pizza, uma tosta de queijo...
Só que entretanto temos uma bebé glutona em casa, e na hora de cozinhar não se pode desenrascar uma tosta. A alimentação tem que ter pés e cabeça, e apesar de ela comer peixe várias vezes por semana, as refeições vegetarianas são pensadas e têm que ter todos os nutrientes.
Agora, passados estes 15 anos sem comer carne e habituada a cozinhar refeições dia sim, dia não, dou por mim a comparar o tempo que passo na cozinha com uma mãe que faça num instante uns bifinhos com arroz. Umas perninhas de frango na chapa com esparguete. Salsichas com ovo estrelado. Carne no forno. Nuggets. E a realizar que sou praticamente uma mãe amish. Porque passo horas a fazer empadões de cogumelos, pasteizinhos de lentilhas, almôndegas de grão, bulgur com puré de legumes, lasanha de beringela, por aí fora, e tudo leva uma imensidão de tempo, mesmo como antigamente. Não que isso me faça vacilar (sequer), mas a comida vegetariana boa, não é assim tão rápida de confeccionar, e por vezes revejo-me nas minhas avós, que para garantirem uma caldeirada bem apurada começavam às 9h da manhã de volta dos tachos.  E no dia-a-dia isso tem o seu impacto. Principalmente num planeta que gira à velocidade da internet.
Entretanto há efeitos colaterais inesperados. Nos dias em que na escola a ementa é carne, a Zola leva comida de casa. A educadora provou e gostou e parece estar disposta a lançar uma revolução no colégio, porque há outros meninos com dietas similares que se encontram sem opções de escolha. A verdade é que já era altura de considerarem variações nas ementas, não ser sempre carne, peixe, carne, peixe. Sei que há pessoas completamente carnívoras e que não dispensam o seu belo bife a boiar em sangue. Ou molho. Nada contra, cada um sabe das suas papilas gustativas. Mas isso não invalida que haja dias em que afinal é quinoa, que é um dos alimentos mais completos do planeta. Ou pizza de cogumelos. Ou lasagna de legumes.
Hoje não há fotografia do empadão de cogumelos porque como já expliquei aqui, fiquei sem máquina fotográfica. Está muito bom. Mas a Zola não quis comer. Mas amanhã vai levá-lo à mesma para a escola. Lá no fundo, no fundo, foi tudo uma grande fita, ela adora puré de batata, só que se calhar os míscaros foram um passo muito ambicioso. A ver vamos.


24 de setembro de 2014

DOR DE CABEÇA AO CONTRÁRIO

Cosmos, alinhamentos planetários, cartas astrais desta vida: permitam-me não gostar dos livros que todos gostam. Não gostar dos sapatos que todos gostam. Não querer seguir a moda que todos seguem. Não ler os blogs que todos lêem. Não ter a atitude arrogante que muitos precisam de ter. Não ter a opinião que é correcto ter. Não ter os dentes certinhos como é suposto ter. Não ter a pele branquinha que é bonito ter. Permitam-me usar o meu totó desalinhado e não querer saber disso para nada. Ter um blog que não fala só de perfumes ou só de filhos ou só de cultura ou só de críticas e nem sequer calcula as visitas. Permitam-me não ser previsível nem oca de espírito. Permitam-me não ser cinzenta, apesar de até gostar de cinzento. Permitam-me que turbilhões de ideias fora de tabelas me atropelem e me deixem a pensar. Podia continuar nisto, mas felizmente não tenho tempo.

17 de setembro de 2014

PESSOAS QUE ENCHEM O MUNDO DE "INHOS"

Fui a um oculista trocar as lentes dos meus óculos-gata. À saída a senhora deu-me um envelope todo pomposo com o papel para levantar as lentes. Quando regressei ela entregou-me os óculos, dentro de uma caixa, por sua vez dentro de um saquinho. Eu disse-lhe que agradecia o saquinho mas não o queria. Ela ficou muito espantada. Depois disse-lhe que lhe agradecia a caixinha, mas que também não a queria (porque já tenho uma antiga em casa). Ela ficou estupefacta. Depois devolvi-lhe o envelope de cartão com o papel para levantar os óculos e ela ficou com uma cara mesmo totalmente atónita, e no fim enfiou o recibo dentro de um envelope de cartão ainda maior que o primeiro e passou-mo para a mão. Esse eu já não tive coragem de recusar, mas tive vontade de lhe dizer "ouça, eu vim aqui comprar só umas lentes para os óculos e a senhora está a fazer-me confusão com os seus saquinhos, envelopezinhos de cartão e caixinhas de plástico. É por causa de atitudes como esta que o planeta está mega poluido e vamos morrer todos intoxicados e soterrados em lixo. Sua destruidora da natureza!". Só que não lhe disse nada, guardei a opinião para mim. Ela não tem a culpa. Quero dizer, temos todos a culpa. Mas por que raio e com que ideia, alguém numa empresa decide que os recibos são entregues em envelopes de cartão?!

16 de setembro de 2014

FILHA, OSSO DURO DE ROER


Hoje comecei o dia a ler um artigo do Público que falava sobre o pouco tempo que os pais têm para educar os filhos (em Portugal). Verdade, verdadinha. Este ano mudei tudo para poder dedicar mais tempo à Zola, para poder acompanhar o seu crescimento, vê-la dar os primeiros passos, dizer as primeiras palavras. Não é fácil. Tenho quase sempre trabalho acumulado e pouco dinheiro, mas acho que vale a pena.
Hoje fomos buscá-la à creche, lemos 1000 livros, brincamos com 1000 jogos, depois ela jantou, estive a acompanhá-la o tempo todo, a ensiná-la a espetar o garfo no pêssego e a não espalhar 1000 bolinhas de couscous pelo chão da sala, cantamos 1000 músicas durante esse tempo. Depois foi a hora do banho e juntas tratamos de preparar tudo, inclusivé pôr mais 1000 gotas de óleo de alfazema na àgua e brincamos com os animais marinhos. Este tempo, não foi muito, foram três horas. Mas foram três horas boas, que nem toda a gente tem com os seus filhos. A seguir, pensei, pijama e cama. Mas ao contrário de ontem, que tinha adormecido tão bem, foi dia de 1000 gritos. Depois fiquei 1000 horas sentada numa cadeira ao pé do quarto, com as costas a latejar, e fui 1000 vezes ao pé do berço explicar-lhe muito calmamente que não ia acontecer nada diferente dos outros dias. É sempre igual, temos que fechar os olhos e dormir. Além disso os pais estão sempre atentos para o que ela precisa. Expliquei 1000 vezes, e ela atirou a chucha 1000 vezes para o chão em sinal de revolta. Gritou mamãaaaaaaa como se alguém desconhecido e feio a estivesse a obrigar a comer couves de bruxelas e morcelas. A ela, que não come carne. Aposto que todos os vizinhos ouviram. Engoli em seco, tentei endireitar as minhas pobres costas na cadeira de pau, e fui procurar toda a minha paciência. Encontrei algumas réstias, no meio do cansaço, juntei-as e construí um pedaço médio de paciência, e depois pensei "vai ter que chegar, der por onde der, isto bem esticadinho vai resolver a situação". Perder a calma ia estragar tudo. Ia piorar as enxaquecas. Tive que me manter firme e depois de a ter ido acalmar 1000 vezes ela lá adormeceu. Há dias assim. Precisamos de tempo para ajudar os bebés a ver como funciona o mundo, e se alguns percebem logo certas coisas, a outros temos que explicar que apesar de tudo o que há lá fora para descobrir, não podemos estar 24 horas por dia a explorar cada detalhe. Temos que parar e ficar no silêncio. Hoje fez 18 meses, entrou oficialmente na "adolescência dos bebés". É precisamente aquela fase em que os bebés gritam no supermercado e envergonham os pais com birras nos locais mais inusitados, declaram guerra pela sua independência. Não sabia nada sobre isso, mas já estou a tentar informar-me o melhor que posso, não vá ser surpreendida na curva. Na noite passada a punk Zola presenteou-nos com 12 horas de sono. Hoje não sabemos o que irá acontecer, mas também não estou ansiosa. Passaram 18 meses completamente loucos e em tudo diferentes do que esperava, mais umas horas sem dormir, se acontecerem, não farão mossa. Quando os bebés nascem não podemos adivinhar as surpresas que trazem, o tempo que precisam, como irão reagir ao mundo. Temos que viver um dia de cada vez. Parabéns bebé, dás-me muito que fazer, mas suspeito que tens uma personalidade vencedora, e só isso é demais. Com a breca, miúda rija!

P.S. (note-se que dada a personalidade desta miúda, eu entrei em formação a partir do momento em que ela nasceu. Não é apenas aprender a ser mãe, é aprender a ter um carácter de aço.)

12 de setembro de 2014

LIVROS: de onde venho, onde estou e para onde vou


Comprei este livro. Já andava com esta ideia há muito tempo, talvez há um ano, e finalmente aconteceu.  Li poucas páginas ainda, mas já houve passagens que me atormentaram. Hoje uma amiga desafiou-me a publicar nas redes a lista com os 10 livros da minha vida. Foi esquisito, porque de repente queria lembrar-me de tudo o que já li, para fazer uma selecção fidedigna, e como é óbvio nem de um terço me veio à memória. Para além de que ficam de fora obras importantíssimas. Depois não queremos repetir escritores e mesmo que tenhamos gostado muito de um, acabamos por colocar outro, enfim. A lista, sem ordem especial, foi:

"Cem Anos de Solidão”, Gabriel García Márquez 
"Afirma Pereira", Antonio Tabucchi
“Trilogia de Nova Iorque”, Paul Auster
"Gertrud", Herman Hesse
“O Perfume”, Patrick Süskind
"O Complexo de Portnoy", Philip Roth
"Os Maias", Eça de Queirós
"O Amante", Marguerite Duras
"O Evangelho segundo Jesus Cristo", J. Saramago
"Auto dos Danados", António Lobo Antunes

Antes deste li "O estranho caso de Harry Quebert", mas não gostei. Penso que a minha próxima aquisição será "A Vida Modo de Usar" de Georges Perec ou "O Som e a Fúria" de William Faulkner. Mas entretanto já pedi emprestado o "Livro do Desassossego" do Bernardo Soares aka Fernando Pessoa, porque em consequência de tudo isto acabei por levar um raspanete público por nunca o ter sequer folheado. E com razão, não se admite.
E se a lista fosse "As dez bandas da minha vida"? Ou "Os 10 filmes"? São coisas tão difíceis.

10 de setembro de 2014

ZOLA 1 - PAREDE 0


Parece um gatafunho pequeno, mas não é. Qualquer das formas, como vou removê-lo de imediato, não vá a cachopa pensar que isto é uma coisa boa, para repetir com afinco e essas coisas, quis registar para a posteridade o primeiro grafitti da punk Zola. Depois de fazer isto disse muitas vezes "noo papeeel, noo papeeel". Só prova que filho de peixe sabe nadar.

5 de setembro de 2014

QUANDO AS ESTRELAS SE ALINHAM NUMA COMBINAÇÃO PERFEITA


Foi uma descoberta fantástica perceber que conseguimos a pior combinação de sempre. Ele fotógrafo, eu designer. Não há palavras: eternamente pobres e atarefados. Pior ainda que ser artista. Portal belelu >>> I Love You.

NOVO HABITANTE



É verde, cor de laranja e dá pelo nome de Malagueta. É verdade. Estamos muito satisfeitos, é silencioso, não precisa de ir à rua e é genuinamente lindo. Traz muita cor à casa. Foi prenda dos meus pais, que são experts em coisas verdes (em todas as cores, mas especialmente verdes), para substituir um manjerico que assassinei de forma cruel durante o Verão. (Para quem tem curiosidade mórbida, foi à sede.) Prometo que vou tratar bem desta.