28 de maio de 2015

OPOSTOS ATRAEM-SE


I say "you", you say "am I" 
You like mornings, I like nights, 
I love you till the day I die, 
You say "Christopher", I say "Walken" 
You love, I love Christopher Walken, 
I guess at least we have got one thing in common. 
We couldn't be more contrary if we tried

Esta música (Pickles from the Jar) ficou-me no ouvido desde o dia em que a ouvi. 
E eu nem sequer gosto de pickles!

26 de maio de 2015

LISBOA EM PAPEL




Hoje foi um dia especial. Imprimi uma pequena edição de 4 gravuras nas quais já andava a trabalhar há um tempo e soube muito bem. Caminhei muito à chapa do sol, com umas sandálias de qualidade duvidosa, ao meio-dia, não encontrava o sítio das impressões, depois tive que subir uma rua muito íngreme com 10 Kg de gravuras num saco de plástico, que coitadinho, nem sei como não derreteu. Coisa boa: vim a rir o caminho todo sozinha, de satisfação. Cheguei a casa, tinha uma bolha em cada dedo do pé mas sorria. Amanhã estarão à venda na This and That, essa magnífica loja no Príncipe Real. Costas doridas, mas inspirada para continuar.

PRECISO DE AR


Já tenho planos para este fim-de-semana: Sábado e Domingo, Twins & Fins na praia de Ribeira d' Ilhas na Ericeira. Há competição de surf, reunião de motos e exposição de equipamento, mas também há concertos, projecção de videos e a entrada é livre. Ainda tenho esperança de fazer praia. Tudo em um.


25 de maio de 2015

4 PASSOS PARA FAZER UM VESTIDO




Nunca esta renda francesa se imaginou pregada neste tecido. Nunca este tecido japonês calculou que teria a honra de ser cortado e cosido pelas mãos habilidosas da minha avó, ao pé do mar. Nunca eu imaginei que aos 34 me poderia dar ao luxo de ter roupa feita à medida.
Vou começar onde começa a história deste vestido: o meu amigo Mário trouxe-me o tecido de Tóquio (1). A minha avó desenhou o modelo, cortou e confeccionou a ouvir as ondas (2). O meu amigo João deu-me a renda que a mãe dele trouxe de França nos anos 60 (ou por aí perto, suponho eu, 3). A renda estava guardada numa magnífica caixa antiga de sabonetes da Ach Brito (é verdade). Eu cosi a renda ao vestido (4). Um vestido a pelo menos 10 mãos. O meu sincero obrigada a todos os participantes, é isto que torna belas as coisas.


PINTAR NOVOS COCHES




Quem quer saber de livros de pintar para adultos, quando pode ter um livro de pintar do Museu dos Coches? =)
Esta Primavera tive a honra de, a convite da Revelamos, ilustrar coches e D. José de cabeleira empoada. Fiquei super contente com este trabalho porque acho que foi a primeira vez que desenhei para crianças (sem ser para a punk Zola ou para os primos mais novos). Claro que a tarefa foi além trabalho, porque me diverti muito a olhar para as fotografias antigas do arquivo do museu e captar os pormenores mais pitorescos da nossa realeza. D. José foi de tudo o que mais adorei desenhar e transformar os coches em desenhos infantis, sem me inspirar no coche-abóbora da Disney, foi um desafio espectacular. O entusiasmo foi tal que por mim tinha desenhado uma colecção de 3, ou 5. Ou 10.

23 de maio de 2015

4 SEMANAS SEM SAIR DÁ NISTO


Estar ontem no Open Day da Lx Factory foi um pouco como voltar ao Caldas Late Night (na Escola S. de Arte e Design das Caldas da Rainha) no final dos anos 90. Um pouco. Uma nesga do que era ir ao Caldas. Não é claramente a mesma coisa, o espírito é outro. Nas Caldas era 1000 vezes melhor. Mais inesperado, controverso, atrevido, alternativo, crítico e artístico. Era uma noite em que tínhamos um mapa da cidade, e as casas dos alunos abertas ao público, para percorrer. Em cada morada havia concertos, exposições, projecções, performances, a noite inteira a pé de um lado para o outro.
Ontem na Lx Factory, por momentos, quando entrei em algumas das salas com concertos ou mostras de arte, senti-me um bocadinho lá. Foi estranho. Um flashback, coisa de segundos.

22 de maio de 2015

PONHA MAIS SALSA SFF


Ontem fiz quiche de beringela e cogumelos portobello às bolas vermelhas. Foi uma versão "com-o-que-há-no-frigorífico" mas correu bem. A acompanhar uma salada de abacate com salsa e molho balsâmico, tudo ultra saudável. A punk Zola seleccionou o tomate todo para ela e deixou o resto para nós.
Ao serão uma fome horrenda, seguida de uma panela solitária de pipocas com caramelo. É nesta parte que estrago tudo.

21 de maio de 2015

COMO VIVER NUM PAÍS AO SOL


Viver aqui não é fácil. Não diria que é um pesadelo, porque me lembro dos que vivem na guerra e no limite da dignidade humana, ainda assim é preciso ter estômago. Basicamente temos que ser muita bons em tudo.
Hoje antes de começar a trabalhar li isto e depois isto. Uma coisa que parecia tão longínqua, a crise, foi-se aproximando lentamente, e como quem não quer a coisa foi-se instalando no sofá das nossas casas. Primeiro na do primo afastado, depois na da tia, às tantas os amigos mais próximos já falavam disso, até que finalmente quando um dia chegámos cansados ela já lá estava também, na sala, a fazer zapping com o comando da tv.
Manter estilos de vida a que estávamos habituados é complicado e ser miúda envolve certas despesas, como é lógico, sai caro. Mas em Portugal não podemos passar a vida a fazer unhas no salão de estética. Aprendemos a fazer em casa. Não vale a pena tentar ser muito eloquente, passo já à lista:

  • Não há dinheiro para o cabeleireiro - aprendemos a pintar o cabelo em casa. 
  • Não há dinheiro para depilação - temos a cera e a espátula em casa.
  • Não há dinheiro para ir à Wink - fazemos sobrancelhas em casa.
  • Não há dinheiro para babysitting - temos que ser boas mães.
  • Não há dinheiro para restaurantes - sabemos cozinhar mais e melhor.
  • Não há dinheiro para comprar muita roupa - pomos a máquina de costura a funcionar.
  • Não há dinheiro para lavandaria - sabemos os truques todos para eliminar nódoas difíceis.
  • Não há dinheiro para empregada de limpeza - sabemos limpar, aspirar, passar.
  • Não há dinheiro para o ginásio - corremos.
  • Não há dinheiro para sumos - sabemos fazer limonada.
  • Não há dinheiro para bolos - fazemos nós os bolos.

Mas é mais exigente do que ser uma governanta de casa ao estilo anos 50. Porque trabalhamos, claro. Para pagar contas. Para pagar os salários demasiado caros e as pensões vitalícias dos nossos políticos. Não aceito nada abaixo de super-mulher. Porra, podemos ter muitos defeitos, ser larápios, corruptos, sem escrúpulos, chicos-espertos (de certeza), mas não venham dizer que os portugueses são malandros. Temos é sorte de ter um país com sol.


20 de maio de 2015

MEXICOLA TAMBÉM EXPLORADORA

O vestido da Colenimo




Osa Johnson, a incrível exploradora

Hoje ganhei um giveaway! Eu, que nunca ganho nada nesta vida, tive esta sorte incrível!
(a última vez que tive sorte material foi no fim do séc. XX, quando encontrei um relógio Swatch debaixo da minha própria tenda, em Itália. Não tinha bracelete e era de homem.)

Já tinha escrito aqui que leio vários blogs de África do Sul. Pois deu-se a sorte de participar num giveaway da Honey Kennedy com peças da marca Colenimo, criada por uma designer de Tokyo. A colecção é inspirada na realizadora e exploradora Osa Johnson (americana), que no início do séc. XX se aventurava por terras exóticas e nunca antes desbravadas, para fazer documentários sobre a natureza e vida selvagem. Portanto uma mulher que não queria saber de tachos, preferia aviões e máquinas de filmar. Eu também prefiro, no entanto já fico contente com a farda de aventureira vintage.

Comentários à parte, terei que fazer alguns ajustes, porque sou tamanho S, little people, mas estou contente e muito surpreendida por esta rajada inesperada e generosa de sorte. Até já tinha pedido à minha avó para me fazer dois vestidos para o Verão, (curiosamente um deles com um tecido vindo de Tokyo), projectos que ela levou imediatamente a cabo, como boa e querida avó que é, e agora tenho três. Três (t-r-ê-s) vestidos novos. Em tempos de crise. (Vou-me calar porque a encomenda ainda não chegou.) E aprendi quem foi a Osa Johnson. Maravilha.

15 de maio de 2015

TENHO A SENSAÇÃO DE PÁGINAS NOVAS






Hoje a revista de motos que estou a desenhar faz 5 anos. É uma edição especial de aniversário e tem design novo. Trazê-la para a banca com os meus colegas de equipa foi o que me manteve ocupada (à séria) nos últimos dias. São 116 páginas de novidades. 
Sou cada vez mais crítica em relação ao meu trabalho, mas estou contente. Porque uma edição é um pedaço de um todo, as publicações constroem-se número a número, normalmente com esforço, dedicação e amor à camisola. A REV #27 é especial, mas também é a base de um trabalho futuro, e a minha satisfação tem a ver com o facto de achar que as sementes são promissoras, ou seja há muito material para explorar a nível de design. Claro que revistas e jornais não são só design, mas também são design. O design é uma parcela importante. 

Quem compra revistas não o faz certamente pelo projecto gráfico mas acima de tudo pelos conteúdos, bons textos, boas imagens, boas ideias. Eventualmente, sem se aperceber, escolhe também pela forma como as coisas se organizam e apresentam nas páginas e é a essa parte que me dedico. 

Entre várias rúbricas novas nasceu a página de perfil, onde entra um ilustrador ou fotógrafo de motos e a novidade é que sou eu que vou editar o conteúdo. Antes de receber um convite para o fazer tive a lata de apresentar uma auto-proposta e foi aceite, por isso,  para além do desafio de manter o design gráfico à altura do que sempre foi, agora tenho outro, que é o de manter aquela página bem viva. Pesquisar, desenhar, escrever. Parecendo que não, isto deixa uma pessoa com nervoso miudinho.

(Agradeço à punk Zola a pintura extraordinária que serviu de base para as fotografias - oxalá sejas tão inspirada quanto o Dali, o Picasso, ou a Frida Kahlo - mas já se nota que sim, que vai ser melhor ainda, há ali detalhes que não deixam margem para dúvidas).


REFOGADO DE MELANCIA, ALGUÉM?


Claro que sim, já estou com água na boca.


12 de maio de 2015

CURADORIA IMAGINÁRIA | DO CARVÃO À AGUARELA













Acabei um trabalho grande que me fez desaparecer uns dias, e depois de uma temporada imersa nas minhas páginas faz-me falta ver coisas feitas por outras pessoas. Para recarregar os níveis de inspiração gosto muito de procurar outros designers, ilustradores, comparar técnicas, ver como as pessoas se dedicam aos seus traços de maneira diferente. Já não sei como descobri a inglesa Liz Clements, mas sigo-a no instagram e acho-a fenomenal. Tem um talento incrível (e de certeza uma paciência infinita)  para desenhar linhas super finas e todos os detalhes destas pin-ups modernas. O portfolio está cheio de ilustrações terminadas, mas é bom espreitar o instagram onde ela publica o processo criativo, e é difícil acreditar, mas é tudo ou quase tudo manual. Quem desenha assim não precisa de fazer mais nada.

11 de maio de 2015

A VERSÃO

Apesar de a música popular ter sido certamente pensada, inspirada, escrita e rescrita para ser um sucesso de Verão durante décadas, cá em casa a versão original foi abolida.

A barata diz que tem,
uma cama pianista,
é mentira da barata,
ela tem o pé pelulo,
ahahah, ohohoh,
ela tem o pé pelulo.

Esta é a nova. A nova versão da Barata diz que tem reinventada pela punk Zola.

5 de maio de 2015

5 DIAS PARA LER AS GALVEIAS


Li o Galveias do José Luís Peixoto. Gostei muito, porque tudo o que ele escreveu me transportou numa máquina do tempo para a minha aldeia nos anos 80. Para os naperons, para as fitas nas portas, para as motorizadas, para os tanques da roupa, para os bolos de noiva com creme, para a foto dos noivos em cima da cama, enfim, fez-me sentir nostálgica mas sorridente. E aprendi uma palavra nova: funesto. 
Principalmente, gostei porque achei que em vez de Galveias podia estar ali o nome da minha aldeia (mas só aconteceu isso porque ele é um escritor exímio, claro está).


RESET AO SISTEMA, JÁ!

Trabalhar - abrir o correio - pagar contas.
Trabalhar - abrir o correio - pagar contas.
Trabalhar - abrir o correio - pagar contas.
Trabalhar - abrir o correio - pagar contas.
Trabalhar - abrir o correio - pagar contas.
Trabalhar - abrir o correio - pagar contas.
Trabalhar - abrir o correio - pagar contas.

Quem terá sido a alminha iluminada que estabeleceu que a lei das coisas devia ser assim?
Isto é um autêntico desperdício de vida. E agora, como é que se faz reset?

(É por este ritmo alucinante e super interessante que não tenho aqui vindo postar os meus brilhantes pensamentos, peço desculpa a quem me escreveu e eu não vi).