29 de outubro de 2015

GOING ARTSY





Hoje foi o dia. Mas tudo a correr, infelizmente. Andava ansiosa para pintar, tinha mesmo saudades, e a expectativa era tanta que o sentimento foi: vou fazer tudo o que imaginei, nos 20 minutos que tenho disponíveis! Nooot. É claro que não se consegue fazer uma galeria em 20 minutos. Ainda por cima faltavam cores indispensáveis e algumas das bisnagas não eram usadas há tanto tempo que a tampa simplesmente não abria. Estes detalhes estragaram-me um bocadinho os planos.

Enfim, afinal o que interessa é que desbloqueei esta espécie de enguiço que me fazia adiar eternamente a montagem do cavalete e tirar os pincéis para fora da maleta. 
Tenho que percorrer um caminho até chegar ao resultado que quero (que ainda não é este) mas como já estou habituada a percorrer vários caminhos em simultâneo, com tudo o que isso implica, também não é por aí que ficarei desmotivada. A minha agenda é uma montanha-russa e às vezes sabe-se lá o que consigo fazer entre dois posts no blog.
Em breve lá terei que voltar à papelaria e deixar 30€ ou 40€ por duas ou três cores de acrílicos, mas o esforço compensa, por umas horas mais coloridas. 

Não é desta que tenho coragem para mostrar a tela toda ☺ mas espero poder fazê-lo antes que o ano termine. Se calhar com outra tela, a partir do zero. Acho que a minha vida é isto: partir do zero, partir do zero, partir do zero outra e outra vez. É assim uma característica muito própria. Nunca conseguirei perceber porque é que me envolvo em tanto novelo. Suspeito que tem a ver com um bicho carpinteiro que se alojou no meu organismo e que não sai, mas eu preferia que não, porque isto cansa muito. Juro.


28 de outubro de 2015

1,2,3: INSPIRAR, EXPIRAR

Preciso de um sinal destes. Olhar para isto faz-me sentir bem.

Luke Gram

Tattoo by Toyashinko

The Craft Central




“The Dancers, 1979” by David Gonzalez

Neil Secretario

Muita coisa para fazer. As semanas passam num instante e eu só queria ter tempo para pintar! Mas agora há uma regra: tempo para inspirar é obrigatório.

27 de outubro de 2015

DIA DE GOSTAR DE COISAS







Hoje foi dia de gostar de coisas. Como estou cada vez menos habituada a consumir, também me esqueço de como se escolhem e apreciam coisas belas... (mentira, isto é só uma desculpa esfarrapada para poder estar de site em site, sem remorsos, a olhar para coisas que não vou comprar). Todas estas peças são de uma marca americana (shame on me, eu sei) que eu adoro. Para me mentalizar que a alfândega é incomportável imagino que todos estes materiais são do mais reles que há. Mas continuo a gostar muito da Dot & Bo

LUATY

Não ouço rap. Nunca ouvi a música do Luaty Beirão, mas saber que suspendeu a greve de fome foi uma boa notícia hoje. Tive medo de acompanhar este caso e evitava-o por saber que me deixava angustiada e revoltada. Assinei a petição para que o governo interviesse na sua libertação. Não aconteceu nada. Tive medo que o grito dele fosse surdo. Felizmente foi barulhento.


20 de outubro de 2015

3 SEGUNDOS PARA VER E QUERER



Ontem fui-me enfiar no terrível sub-mundo do centro comercial. Erro. Já não ia há muito tempo, e quando isso acontece sou assolada por uma terrível febre consumista. Fiquei a querer este casaco. Mas deve ser fogo de vista, porque provavelmente vai ficar mal, sou baixa demais para este modelo.


18 de outubro de 2015

ILUSTRO LOGO EXISTO




© Direitos reservados ao semanário Região de Leiria

O facto de fazer pouco mais que trabalhar nos últimos tempos, obriga-me a falar de trabalho aqui no blog. Efeitos colaterais =). Este foi um dos vários projectos do último mês ao qual dediquei tempo, esforço e alma. Não foi o único, mas teve bastante impacto porque ocupou grande parte da minha agenda e (ainda) tive o prazer de voltar a ilustrar. 

O jornal regional Região de Leiria celebrou o seu 80º aniversário e para marcar a data ofereceram a edição, à imagem do que aconteceu há 80 anos atrás. No meio de tudo o que uma data destas implica para uma publicação, fui contratada para ilustrar retratos de várias personalidades da região e aproveitei a oportunidade para pôr a minha caneta a pintar quilómetros de linhas, manchas e cores. 

O facto de serem retratos aumenta sempre a fasquia na hora da avaliação - o visado é sempre o mais exigente dos críticos e naturalmente quem tem mais coisas a dizer. O papel do ilustrador é olhar para a pessoa e reproduzir o que vê: a parte engraçada desta questão é que todos vemos tudo de maneira diferente (felizmente, não é verdade? Ufa, ufa), logo, dificilmente haverá dois ilustradores a retratar uma pessoa da mesma forma. Cada visão, cada retrato. Esse é o fascínio desta área - acho que é por isso que se chama plástica. Porque é elástica, molda-se, interpreta-se e apresenta-se de diferentes formas. Um exemplo: para mim as sobrancelhas foram uma das partes mais engraçadas de fazer no processo, porque mesmo sendo um elemento em que mal reparamos, são um traço fortíssimo da nossa face. 

Há ilustradores exímios (categoria de artistas) que retratam de uma forma tão estupenda, que mesmo o retrato ficando diferente da pessoa real, é possível reconhecê-la no desenho. Estes desenhos normalmente estão minados de traços do artista, transbordam personalidade e são únicos e maravilhosos. Um bom exemplo disso, que tenho seguido, é a catalã Maria Herreros. Adorava fazer um workshop com ela. No que toca às artes, a formação é um investimento contínuo e infinito.

Quando escrevi o título deste post quis fazer um paralelo brincalhão à máxima de Descartes "penso logo existo" mas o meu primeiro pensamento foi "Ilustro logo sou feliz" que é muito mais simples e para mim uma verdade incontestável. Sou feliz cada minuto que desenho e acho que só estou a descobrir isso só agora. 

13 de outubro de 2015

RELATOS DE NOITES COM OS OLHOS ABERTOS

Em Setembro a minha filha lutou contra o fim das férias.
A minha filha lutou contra ficar de manhã na escola.
Todos os dias luta contra voltar para casa ao fim do dia.
Luta contra sentar-se na cadeirinha à hora das refeições.
Luta contra não poder ver televisão diariamente.
Contra o pequeno-almoço não ser papa.
Luta contra ter que lavar os dentes.
Luta para se levantar de manhã.
Luta contra a brincadeira que eu escolhi.
Luta contra não poder sair de casa com 16 brinquedos na mão.
Luta pelo direito de usar chupeta.
Luta porque quer ficar mais tempo no parque.
Luta todos os dias, muitas vezes.
Ninguém me manda ter ido a tantas manifestações quando ela só tinha meses de gestação.

Eu pensava que ela estava melhor, mas a luta a que ela dedica mesmo todas as suas energias
continua (infelizmente) a ser contra o sono. Ao passo que esgota as minhas e as do pai. É mesmo difícil. Desde sexta-feira sem dormir, a visão começa-se a toldar, os três temos olheiras, olhos vermelhos e pouca paciência.

A capacidade de lutar é uma coisa que admiro nela, (e por ela ser assim rufia é que lhe chamo carinhosamente punk). Sempre desejei que tivesse essa força interior, que nestes tempos em que vivemos é uma característica valiosa, mas Punk Zolita, escusavas de nos triturar desta maneira.
Hoje o argumento foi que queria água, mas tinha que ser num copo (eram 4h da manhã e eu estava a usar um biberão). Não pude ceder, senão faz picadinho de mim. Demorou uma hora para voltar a adormecer e debateu-se com todas as armas para não me deixar dormir (a estratégia foi repetir as palavras "água num copo" sem parar, ao estilo de uma tortura pidesca.)

Há pouco tempo começou a dormir duas noites ou três noites seguidas, andávamos com um sorriso de orelha a orelha e eu pensava, afinal isto é que é ter um bebé que dorme! Espectacular! Consegui entender muito melhor os pais que têm vários filhos seguidos entre outros mistérios que me inquietavam a alma. Enfim. (to be continued, mas com melhores notícias, espero).


12 de outubro de 2015

IDEIAS PARA DIAS DE CHUVA











As fotos não estão grande espingarda mas não havia luz suficiente para fotografar e houve algumas que não se puderam aproveitar. Estes trabalhos são de vários alunos do workshop.

Sábado choveu muito, felizmente o plano estava traçado: passar a tarde a desenhar. Mesmo com papel, mesmo com canetas, mesmo com lápis e borracha. Foi muito bom abandonar o monitor do computador durante um dia inteirinho. Os meus olhos andavam a pedir e a minha alma também: a punk Zola ficou com a tia, juntei-me a alguns amigos e inscrevi-me num workshop de lettering da Halfstudio Signs. Foi como voltar à escola.

Já há algum tempo que andava a testar a minha caligrafia, mas era só a brincar. A história do lettering exige ainda mais dedicação do que eu pensava. Quando somos novatos há 1001 detalhes que ignoramos e desenhar uma letra requer dedicação e repetição exaustiva. Há uns tempos li um artigo sobre as propriedades anti-stress de desenhar letras e de facto temos que estar tão concentrados que não conseguimos pensar em mais nada, é uma boa forma de esquecer problemas e enxotar por algumas horas aquela nuvem cinzenta.

O workshop é bastante técnico e dá-nos as ferramentas necessárias para perceber o método. A partir de agora depende das horas que dedicar ao tema e o meu tempo livre, infelizmente, não é muito. Mas tenho a vida toda. Isto pode ser um bom hobbie. (acho que esta perspectiva não podia ser mais positiva).  Definitivamente vou manter as canetas por perto, seja pelas letras, seja pelos desenhos, é muito bom sentir que podemos trabalhar com as mãos, sujá-las de tinta e espalhar aparas de borracha por todo o lado. Back to work!

4 de outubro de 2015

PAF, O SOM DE UM GRANDE ESTALO


que acabei de levar. Nem é tanto por ter ganho a dupla Passos-Portas, é a quantidade de pessoas que não levantam o rabo do sofá para ir votar. Depois ficam quatro anos a dizer mal de tudo, mal da vida, mal do hospital, mal das contas para pagar, mal do que o dinheiro não chega para comprar. Devia cair um raio na cabeça de cada tuga que não vota e depois fica a encher o ar de queixas.

Estou desiludida. O que sinto é o que diz esta música: nos tempos que correm os homens novos não têm nada. Nem as mulheres novas. A mim dava-me jeito um nível de vida melhor, no geral. Acho que todos gostaríamos de ter. Pelo menos mais equilibrado. E um ministério da cultura, por exemplo. Mas com a intensidade de austeridade que senti nos últimos quatro anos, é-me difícil acreditar que estamos a voltar à mesma receita. A sensação é de correr, correr, dia e noite, semanas, meses, anos, e não sair do mesmo lugar.

Portugal, és um misto de masoquismo e sonolência. Vou ficar à espera que qualquer coisa boa aconteça.