31 de março de 2016

CLARO QUE AGUENTAS

Ontem desci a rua e bebi café no café onde os donos tentam ficar-me com o troco sempre que podem (sem eu reparar), depois apanhei um autocarro onde o condutor refila sempre porque as pessoas carregam na campainha muito em cima da paragem, e onde os passageiros refilam porque o condutor pára muito longe da paragem. Em seguida fui até à fisioterapia onde a fisioterapeuta recusa atender quem chega 10 minutos atrasado, mas regra geral recebe os pacientes com 20 ou 30 minutos de atraso. Em caminho passei pela massagista que tem ataques de histerismo por sair 6 minutos mais tarde para a hora de almoço (por culpa da fisioterapeuta) e finalmente apanhei o mesmo autocarro de regresso a casa. Já em casa, tentei ligar para a clínica para mudar as consultas, que pelos vistos são demasiado próximas da hora de almoço, e a recepcionista atendeu-me com o azedume de quem perdeu um talão premiado da lotaria, e obrigou-me a tratá-la com a mesma falta de educação. E fiquei eu de mau humor. Há dias assim, eu aguento.

26 de março de 2016

OVOS DE PÁSCOA | ANTES E DEPOIS


Ovos de galinhas criadas ao ar livre - Antes


Ovos de galinhas criadas ao ar livre - Depois

Uma vez recebi um ovo destes na Páscoa. Foi há uns anos atrás, mas nunca mais me esqueci. Foi-me oferecido por uma senhora do leste da Europa que agora vive na minha aldeia. Como não posso ver nada tive que fazer também. Foi o primeiro teste, mas gosto tanto deles e tem tanta graça para mim oferecer um ovo cozido, que acho que vou desistir dos ovos de chocolate para sempre. Convidei a punk Zola para fazer esta obra comigo, mas disse-lhe que tinha que ser sem a chupeta na boca. Frisei várias vezes este aspecto. Ela hesitou um bocadinho e disse-me: "Está bem mamã, podes fazer os ovos sozinha." E saiu da cozinha com a sua chupeta e nariz empinado. Portanto fiz os ovos sozinha, enquanto ouvia a TSF na cozinha.
Um ovo cozido como sinónimo de uma boa Páscoa, mas acima de tudo como voto de uma Primavera próspera e vibrante.

23 de março de 2016

CHA CHA TWIST



A qualidade do vídeo é péssima, mas isso é o menos porque esta banda deixa-me mesmo contente.


22 de março de 2016

ATELIERS DE PRIMAVERA

Esta tarde eu e a punk Zola fizemos plasticina.
Desafiei-a para moldar legumes. Primeiro fiz uma cenoura e depois um tomate.
Logo a seguir:
–– Mãe, faz um coelhinho. (e eu fiz)
–– É para comer a cenoura?
–– Sim. Mãe, agora faz um lobo.
–– Um lobo? Para comer o coelhinho?
–– (cara indignada) Não! Para comer o tomate!

(Claro, que burra!)

18 de março de 2016

E A CAPA MAIS COOL VAI PARA...




A Rev#32! Orgulhosa e a preparar-me para a próxima, que será uma edição de aniversário. 
Apesar do mau momento que a imprensa impressa está a passar  (hoje marcada pelo fim da edição impressa do Diário Económico) só tenho uma coisa a dizer: #printisnotdead. Ainda há projectos cheios de magia, e esta revista é um deles.


17 de março de 2016

MÃE PRECISA


Deste fato de ginástica para a filha. ♥

3 JÁ CÁ CANTAM!


E a correr chegámos aos 3! Cá está a bomboca mais travessa do bairro, a tomar o pequeno-almoço, na manhã dos seus três anos.
Foram sem dúvida os três anos mais turbulentos da minha vida, não por a punk Zola ser uma miúda impossível, (que não é, é uma pinypon irresistível) mas por ter demasiadas insónias. Foram três anos em que dormi de menos e me queixei demais, mas felizmente há boas notícias. Sem querer hastear demasiado alto a bandeira da vitória, parece-nos cá por casa que essa fase está lentamente a ser ultrapassada. Fevereiro passou de um dos meses que menos gosto, a um dos meses mais adorados do ano, foi o mês da retoma. Da retoma de um sono melhor, bem entendido. É importante para mim celebrar esta mudança, sempre com um pé atrás. Mas não quero transformar o post de aniversário da punk Zola num post de sono. Há demasiados posts de sono neste blog, eu preferia falar só de passeatas, tardes de sol e ilustrações.
Quando perguntámos à punk Zola o que ela queria nos anos a resposta foi: velas, bolo, bandeirinhas e  balões.
A inocência é incrível. Teve tudo o que desejou e mais, houve sol e muitas batatas fritas, que é, como todos sabem, o mais importante numa boa festa de aniversário.


8 de março de 2016

4 COISAS DE HOJE

1. Um novo ritual: fui a casa de um tio e descobri que tem uma mega biblioteca de livros maravilhosos. Combinámos que podia trazer dois de cada vez. Estas foram as primeiras escolhas e já percebi que dão pano para mangas. Estarei muito ocupada nos próximos tempos, porque a juntar a estes trouxe ainda "As mulheres do meu pai" do José Eduardo Agualusa. 


2. Ser biológica: tem sido raro comprar produtos biológicos, mas cada vez estou mais decidida a integrá-los na rotina cá de casa. Primeiro decidi que seriam os champôs, o gel de banho, os tampões, as pastas de dentes e os detergentes da roupa. Ontem fiquei completamente fascinada com uma mercearia que encontrei a caminho da fisioterapia (é verdade, lesionei-me a correr), e fiquei mesmo com pena que não exista uma assim ao pé de casa. É o Biomercado. Mas também há o Brio, entre outros mais pequenos, é uma questão de atenção. O Biomercado chamou-me a atenção por ser tão organizado e fresco. Tinha uma banca de frutas e legumes, leguminosas, secos, uma prateleira de chás cheia de opções, cafés, enfim, apeteceu-me fazer lá muitas compras. Acabei por trazer um chá de Giseng para acompanhar as leituras e substituir de vez em quando as litradas de café.



3. Amãezónia: é o projecto da Diana e da Rita, duas selvagens! Adoram as suas crias, mas querem continuar as ser mulheres dinâmicas e cheias de projectos, o que se há-de fazer a esta gente desgovernada? É um site novo, com uma perspectiva punk da maternidade, e vejam se isto não promete :
"Somos mães que trabalham e que às vezes dormem pouco, mulheres a tempo inteiro, malabaristas do tempo e do cansaço que às vezes – por deus – só querem beber uma cerveja. Somos mais felizes desde que fomos mães mas lembramo-nos perfeitamente que também éramos felizes antes. E também nos lembramos de uma altura em que não tínhamos de tomar vitaminas porque não andávamos tão ridiculamente cansadas.A vida não começa na maternidade. Nem acaba. E ser mãe é difícil como o raio." Espreitem o site aqui e façam like no Facebook aqui, está fresquinho, abriu hoje.


"Corre como uma rapariga", significa "Corre o mais rápido que consegues".

4. Dia da Mulher: Este é outro tema do dia. Houve uma altura em que me questionava sobre a existência e a importância deste dia, mas cada vez mais acho que é ultra necessário. Os meios de comunicação têm tido um papel muito importante na minha mudança de opinião, mas também a "guerrilha de rua". Lembro-me do momento em que ia de carro e vi, pintado à mão num muro, em letras grandes, a frase. Não me lembro exactamente do conteúdo, mas estampava ali, preto sobre branco, o número de mulheres mortas por violência doméstica em Portugal. Engoli em seco. Pensei "Estamos em pleno séc. XXI e esta merda acontece." A partir desse dia pensei que fazia todo o sentido continuar esta campanha, falarem disto vezes e vezes sem conta, porque numa altura em que devíamos ser civilizados, matamos mulheres à porrada. O termo é mesmo este, apesar de me custar até escrever isto de forma tão bruta. 
Quando soube que teria uma filha confesso que suspirei. Sempre pensei que um menino teria uma vida mais fácil num mundo tão agressivo (ainda) para as mulheres. Claro que rapidamente conclui que estava a ter um pensamento machista e percebi que não fazia sentido. Tenho uma filha e quero que ela seja uma guerreira, que nunca se deixe pisar, que nunca se deixe discriminar e sei que isso só depende da educação que lhe der. Por isso chamo-lhe pirata, chamo-lhe punk, incito-a a ser corajosa e competitiva, quero que ela lute pelos seus direitos, que suje o vestido a trepar às árvores, que corra, que seja mais que uma menina "só linda", que perceba que pode conseguir tudo aquilo a que está disposta, tudo para que no futuro possa ser simplesmente feliz. 
Assim concluí que o dia da mulher deve continuar a existir, e mais que isso, o tema deve estar na ordem do dia. Deve estar nas nossas cabeças. Nas cabeças das mães e pais das meninas, para lhes ensinarem que não são fracas, são iguais, não têm que se submeter a nada que não queiram. Nas cabeças das mães e pais dos meninos, para lhes explicarem a mesma coisa, para lhes incutirem outros valores, para os ensinarem a ser participativos nas tarefas de casa, a não serem machistas. Para que um dia não vivam num núcleo familiar onde a mulher passa, limpa, cozinha e põe a mesa, enquanto eles esperam que tudo fique pronto sem mexer uma palha. Isso era no tempo das nossas avós (infelizmente) e quem ainda o faz vive no passado, está ultrapassado, já era! Go girls!

4 de março de 2016

LIÇÕES PUNK ZOLA

Lição nº 1:
"-Mãe, o pai nasceu na barriga da avó. Eu nasci na tua barriga e tu nasceste na minha."

Lição nº 2:
"- Mãe, o garfo pica, a faca dá. (exemplifica) Estás a ver?"

Lição nº 3:
"- Mamã, para apanhar suricatas tem que se usar uma rede. Porque picam. "
(na televisão estava a dar um programa infantil que mostrava lavagantes,
por isso não sei que raio de volta foi esta).

3 de março de 2016

A MINHA VIDA A CORRER EM IMAGENS

Tenho vindo aqui muito pouco, mas tenho feito muitas coisas. Às vezes é preciso sair daqui, fugir um bocadinho. Tentar escapar aos dias frios a fazer coisas. Por vezes, quanto menos venho aqui, mais coisas faço. Fiz um workshop de ilustração com a Catarina Sobral, fiz outro workshop com a Catarina Gomes na Casa Nic e Inês,
fiz ainda mais um workshop com a Elena Odriozola. Fui à Ilustraste.  Fui ao Jardim Botânico num dia de chuva infernal e saí de lá ensopada. Adoptámos um móvel que vivia no passeio. Fui pela primeira vez à Fundação Saramago.
Já há muito tempo que não tinha um Fevereiro tão activo. Espero que isto continue assim ao longo do ano.

Ilustração de Elena Odrizola. Ela é muito especial, tem um trabalho excepcional e adorei fazer o workshop com ela.

Ilustrarte

Ilustrarte

Ilustrarte - Gostei muito desta ilustradora 

Ilustrarte - Também adorei esta: Cecilia Moreno

Aqui está o móvel resgatado. Vai ser pintado, mas ainda não decidi a côr.

Recebi esta página da revista Life, de 1964. Segundo a pessoa que me ofereceu, eu estou a ser atacada 
por um exército de punk Zolas. A punk Zola adora e tece muitos comentários sobre a cena.

Isto é a parte de dentro da tampa de uma caixa que acho linda. Penso que isto tem mais de 60 anos e vou emoldurá-la. 
O resto da caixa foi para o lixo porque estava a desfazer-se.