17 de abril de 2016

MEXICOLA FAZ WORKSHOP DE AUTO-CONHECIMENTO E ENVELHECE

Estou quase a fazer anos e, como expliquei ao meu pai, uma vez que está sempre a chover na minha data de aniversário, optei por uma forma diferente de celebração: dura uma semana e divide-se em vários festejos. Desta feita comecei por oferecer a mim própria um workshop de ilustração. Ora, nem de propósito, o tema era o envelhecimento, ou a velhice. Foi uma experiência muito engraçada e tive que pôr as coisas noutra perspectiva. Não só por ter que desenhar muitos auto-retratos, (que é uma coisa dificílima e conto pelos dedos de uma mão as vezes que o fiz), como por ter batido de frente com debates sobre o envelhecimento, que é um tema em que raramente costumo pensar, talvez porque simplesmente o evito. Aqui estão as minhas ilustrações de auto-conhecimento:


O desafio começou por desenharmos o nosso rosto em 5 minutos e depois o corpo inteiro em 10. Esta é a minha ilustração de corpo inteiro.


Depois foi-nos pedido que desenhássemos uma parte de nós escolhida pela ilustradora convidada, que era a Sara Infante, e uma parte de nós que achássemos importante. A Sara decidiu que eu tinha que desenhar as sapatilhas, mas em 10 minutos não consegui terminar com detalhes. A minha escolha foi desenhar o meu olho pintado, porque quanto mais velha fico, maior fica o risco preto do eyeliner.


A seguir tínhamos que desenhar em 10 minutos várias coisas que gostamos muito, com a mão esquerda. Aqui estão maracujás, porque além de serem deliciosos, também são muito interessantes para desenhar.


Um exercício de descontracção: desenhar morangos.


A proposta seguinte foi transformar o morango num super-herói. Eu transformei o meu morango no David Bowie. Muitas das pessoas presentes transformaram os morangos em pais.


Um dos exercícios foi um auto-retrato que fosse para além do que é visível em nós. Fiquei assim. Tenho umas sarditas tímidas, coro com facilidade, há lápis e pincéis espetados no meu cabelo, que parece um monte de algas, porque gosto do mar. Há flores e cactos, que me ligam à família e às origens, há um olho da punk Zola e há a tatuagem das 3 andorinhas, que pertence à minha cara-metade. O tempo era limitado.


Neste retrato estou mais velha 20 ou 30 anos. Deram-nos quase uma hora, mas mesmo assim houve pormenores que ficaram por fazer. Um deles foram aqueles vincos que atravessam a cara do nariz até ao lado da boca. Quero ser uma velha excêntrica e artística. Agora falta-me tempo e coragem para cultivar esse lado mais rebelde, mas não posso bater a bota sem chegar a ser quem realmente acho que sou — é necessário adiar esta parte em prole de coisas mais importantes. Penso que terei o cabelo cor-de-rosa e mais curto. Os óculos vão ser cada vez maiores e certamente terei que carregar mais na pintura dos olhos, sob pena de não se ver nada atrás das lentes. O blush também vai ser uma mancha mais intensa e não vou sair de casa nunca, sem batom vermelho. Já serei uma artista consagrada, portanto vou ter jóias grandes ao pescoço e um vasto guarda-roupa composto por várias peças de seda japonesa. Posso dar-me ao luxo de ser um pouco mais resmungona, porque pelo que já me foi dado a observar, faz parte da evolução.


Adorei este exercício, também de auto-conhecimento, que fizemos antes dos retratos. Pude desenhar os meus pulmões com um padrão psicadélico. Descobri que o ponto de viragem do meu dia é directo, de adormecida para acordada, seja através do chamamento da punk Zola ou de um shot de café (o efeito é o mesmo). Desenhei uma guitarra no bilhete "Vale para um (...)" porque ia ver um concerto, mas esqueci-me que ia acompanhada. Estou à espera do cupão do sono libertador, porque, como quem vem aqui ler de vez em quando sabe, dormir é uma coisa que nos faz falta (sim, ainda).


Até aumentei para se ver melhor. E pronto. É isto que vou fazer agora. Dormir.


7 de abril de 2016

MAMÃ, ESTÁ UM MONSTRO NO SOFÁ


Esta semana, à hora do lanche, entre duas colheradas de papa, a punk Zola olhou por cima do ombro, em direcção ao sofá e disse muito calmamente, enquanto engolia em seco: "Mamã, está um monstro no sofá." Eu olhei para o sofá e disse-lhe que não estava a ver nada, não havia ali monstro nenhum. Ela voltou a insistir e disse-me para ralhar com ele, para o mandar embora.
Como a história já era repetida, em vez de ter uma conversa imaginária com o monstro, decidi mudar de estratégia e pedi-lhe para desenhar o monstro. Ela desenhou-o a preto e branco, "com pernas largas". Depois disse-lhe que tinha uma coisa maravilhosa para manter os monstros afastados: um spray anti-monstro (um spray perfumado para a casa da Designers Guild). Borrifámos a sala toda com o spray anti-monstro, abrimos a janela e esperámos que ele se escapulisse antes de ser aniquilado pela nossa arma secreta.
A punk Zola continou a comer a papa tranquilamente. Passados 3 minutos olhou para os pés da cadeira onde estava sentada e disse-me baixinho: "Mamã, está aqui o filho."
Afinal o monstro deu de frosques mas esqueceu-se do filho debaixo da mesa. Às vezes penso que aguçamos demais a criatividade desta miúda.


1 de abril de 2016

RAPOSAS NO PEDAÇO


Já andava ansiosa para publicar isto há algum tempo! Concorri ao concurso da Navigator para desenhar uma nova embalagem. O prémio é um computador. Diverti-me bastante a desenhar estas raposas universitárias mas infelizmente não fui seleccionada para os finalistas. O que significa que posso fazer o que me apetecer com elas.