19 de setembro de 2016

A FAZER ALGUMAS MUDANÇAS (E A REDUZIR A TRALHA)


Tenho andado incomodada com as más notícias sobre o ambiente por isso este Verão decidi minimizar a minha pegada ecológica. A começar por coisas simples do dia-a-dia. E descobri que tenho tudo por fazer. Para meu terror, cá em casa,  o saco da reciclagem do plástico é o primeiro a ficar cheio.

Lembro-me de ter ficado indignada quando começaram a vender os sacos de plástico nos supermercados, porque achei que só queriam sacar mais uns euros do nosso bolso. Hoje acho que foi uma decisão maravilhosa e penso que deviam fazer mais coisas deste género. Com os sacos pequenos, por exemplo. Não para parar, mas pelo menos para abrandar o ritmo de contaminação do mundo com a porra dos sacos.

Pus-me a pensar na quantidade de vezes que vamos ao supermercado. Compramos maçãs e trazemos um saco transparente. Compramos bananas e trazemos outro saco transparente. E mais um para cada legume que compramos. Multiplicado várias vezes por semana, vezes todas as famílias. O ritmo a que acumulamos os sacos em casa é alucinante. Percebi que tenho um armário só com sacos. Se estiverem sujos vão logo para o lixo. E depois do lixo?  São comidos pelas baleias. Não faço ideia de como as empresas que tratam os resíduos darão conta de tantos sacos, garrafas, garrafinhas e companhia ilimitada. Neste momento até acho que prefiro não saber.

Comecei por fazer algumas mudanças em casa.

Aqui estou eu e a Punk Zola à vinda da padaria. Já tinha este saco, que escolhi para ser o meu saco de pão, tem uma pintura do meu amigo Mário Lopes, que é escultor. Estou a tentar ir sempre à padaria e comprar pão sem saco de plástico mas há dias em que não consigo.

Os sacos para ir ao supermercado são agora de pano.  Comprei os meus na Sushie. Os sacos de plástico para a fruta são sempre os mesmos. Em vez de trazer novos sacos cada vez que vou comprar fruta e vegetais, levo os mesmos que usei na ida anterior. Isto implica levar o saco de pano sempre cheio de sacos de plástico pequenos, é verdade. Mas consigo usar os mesmos meses a fio e assim reduzir muito a quantidade de sacos que gasto. Das primeiras vezes que fiz isto senti-me mesmo bem. Mesmo sendo uma em milhões.

Outra coisa que me incomoda é que não há espinafres, agriões, coentros, salsa ou alho francês que  não venha embrulhado num pedacinho de plástico. Não percebo porque é que não se limitam a fazer um ramo e a pendurar-lhe uma etiqueta de cartão. Tudo tem plástico.

Entretanto comecei também a reciclar os copos de iogurte. Costumava atirá-los para o lixo, mas agora lavo-os e coloco-os na reciclagem. Quase não compro embalagens de sumo - tudo feito em casa. E decidi que quando comprar polpas de tomate e coisas do género, será sempre em garrafas de vidro. Igualmente acabei com o consumo de leguminosas enlatadas (menos no campismo). É tudo cozido em casa: grão, feijão preto, feijão vermelho, etc. E isto pode comprar-se a granel. Em relação ao pão, que no supermercado vem num plástico, vou mudar o hábito e comprar sempre na padaria. Já tenho um saco de pano, como se fazia antes, para pôr o meu pão. E estas são as primeiras mudanças. Já usava um jarro para filtrar água e por isso os garrafões não existem por aqui há algum tempo.

Antes das férias encontrei um site que me pôs a pensar, é o projecto da senhora Bea Johnson, chamado Zero Waste Home. Ela conseguiu uma coisa espectacular, para a qual é preciso uma transformação total de vida e mentalidade: conseguiu que o lixo de um ano (dela e da família) coubesse num frasco de vidro. Não estou preparada para tanto, mas o site é muito interessante e tem dicas infinitas. Não há desculpas para continuar a invadir o mundo com merdas. O projecto Um ano sem lixo também é interessante.

O próximo passo vai ser contactar a minha junta de freguesia para saber se há compostor de resíduos e comprar mais coisas a granel. Ainda por cima acabei de saber que na Miosótis vendem detergente de loiça e de roupa também a granel.  Se conseguir isto fico satisfeita, se conseguir convencer uma só pessoa que seja a pensar neste assunto, fico mesmo contente.

Entretanto acabei agora mesmo de ler uma boa notícia.

Depois de publicar este post recebi logo mais sugestões da Ágata, que é especialista no assunto:

Escovas Babu em bambu e mais amigas do ambiente (fiquei entusiasmada)
Um mercado que desconhecia para ir fazer compras em vez das grandes superfícies (e sem sacos). Na Lx Factory.
Barras de sabonete e champô existem aqui. Não se esqueçam do sodium laureth sulfate, sabonete é muito melhor que o gel de banho e não tem daquelas embalagens enormes!
Pineapple Life, com muitas dicas para ter um estilo de vida mais saudável.
E para terminar um artigo que ela escreveu para o GPS (Sábado) sobre fabrico de cosmética.
(Obrigada Ágata!)

4 comentários:

  1. já não consigo mudar tantos maus hábitos de tantos anos!!! fiquei muito comodista... mas vou tentar mudar alguns, prometo.

    ResponderEliminar
  2. Pensa como a punk Zola gostaria de ver baleias na idade adulta. Se continuarmos assim vai desaparecer tudo!

    ResponderEliminar
  3. E aquelas embalagens de plastico onde vêm os morangos? Pior do que isso só mesmo a embalagem do gengibre. Os sacos de plástico ainda dão jeito para apanhar o cocó das cadelas. Aqui a junta de freguesia não fornece aquele saquinho de plástico preto como em Lisboa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ainda consigo comprar gengibre no supermercado sem embalagem, mas muitas vezes as uvas também vêm nessas caixas. Acho que só indo ao mercado.

      Eliminar